Quando eu era criança, uma das várias coisas que me intrigava era o nome dos bairros da cidade onde moro.
Ficava buscando alguma explicação, e muitas vezes, encontrava conclusões que só mesmo uma criança pode ter.
Por exemplo, existe um bairro aqui perto, chamado "Colina Azul" . Eu acreditava que realmente existia uma colina de coloração azul.
Até o dia em que fui lá. Não encontrei o chão azul que imaginava.
Sendo assim, tirei uma conclusão óbvia: "O chão ERA azul, mas com essas construções, asfalto, e tudo o mais, o chão perdeu essa cor" . Realmente, a imaginação de uma criança vai longe...
Ainda quando pequeno, ouvi no rádio uma coisa interessante. Uma mulher falava sobre a maneira de enxergar o mundo, comparando o que os olhos de uma criança veem, em relação aos olhos de um adulto.
Falava que os olhos de uma criança, ainda inocentes, buscavam os detalhes mais interessantes (e, curiosamente, eram os mais simples) de cada fenômeno que lhes ocorresse, o que pudesse lhes despertar a imaginação.
Enquanto isso, os olhos do adulto, carregados de preocupações, muito provavelmente veriam preferencialmente o lado (por assim dizer) "complicador" das coisas. Isto é, se ao menos notasse a sua existência.
Talvez o parágrafo acima tenha parecido meio confuso, mas vou colocar nos meus termos, e provavelmente o texto se fará compreensível.

Lembro que quando ouvi essa mulher falando, eu estava indo para a escola, com meu pai, dentro do carro.
Lembro também que, em algum momento, começara a chover.
Com a chuva, a primeira coisa que meu pai viu, foi a possibilidade de cair em um engarrafamento.
Com a chuva, a primeira coisa que eu vi, foram as gotas rolando no para-brisas do carro, e o caminho que elas desenhavam.
Percebem a diferença?
Ainda hoje, quando chove, um dos primeiros pensamentos que me vem à cabeça, é o das gotas, e seus malabarismos.
Ainda que eu venha a ficar encharcado por causa dela, ainda que eu venha a pegar uma belíssima gripe, esse primeiro pensamento desanuvia a minha mente, e reacende os meus olhos infantis.
Gostaria de sugerir a você, que está lendo este texto, a tentar olhar o mundo com seus olhos de criança. Ainda que só mais uma vez, mesmo que muito rapidamente, faça isso.
Afinal, o mundo é exatamente da maneira que queremos enxergá-lo.
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